Mostrando postagens com marcador Graça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Graça. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de junho de 2009

3.1 - A graça do novo Adão

3.1 - A graça do novo Adão

No capítulo 5 do livro de Romanos, aparece um claro contraste entre Adão e Cristo e as implicações de seus atos para toda a humanidade. Adão, o primeiro homem, foi a cabeça divinamente nomeada da humanidade inteira, e o pecado dele fez com que todos aqueles a quem representava experimentassem a morte espiritual. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5,12). Quando Adão pecou, ele comprometeu toda a sua descendência. A linhagem do primeiro homem passou a gerar o pecado na humanidade. A vida que se recebe de Adão é uma vida de pecado.

Porém, Deus já havia destinado, antes da fundação do mundo, algo superior: o Segundo Homem, Cristo, para ser a nova cabeça da humanidade a fim de cumprir o seu propósito eterno. “No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.” (Rm 5,14). Adão era a prefiguração daquele que haveria de vir, o Messias, o Novo Homem, Cristo. A humanidade foi constituída pecadora pela desobediência de um só homem, Adão. Da mesma forma, somos constituídos justos em Cristo, mediante a sua obediência. Assim como o pecado, a justificação também veio “por meio de um só” (Rm 5,16-18). “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. (Rm 5,19). Portanto, Cristo tornou-se a Nova Cabeça; raiz espiritual da nova humanidade.

Em Cristo, a humanidade se encontra novamente com Deus. Tem-se uma nova relação com o Criador. Uma condição que fora interrompida por Adão. A humanidade, relacionando-se com Deus faz uma relação promovida pelo Espírito. O “Espírito de Cristo”, o “Espírito vivificante” é aquele que impulsiona a humanidade a aproximar-se de Deus. Cristo, com sua morte e ressurreição, permite a efusão do Espírito em toda a humanidade, reabrindo a esta toda a graça de Deus que outrora se atenuara pela pessoa de Adão[1].

Em 1Coríntios 15,45-47, Paulo traça um paralelo entre Adão e Cristo. “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu”. Como último Adão, Cristo é a soma total da humanidade, como o segundo homem, Ele é a Cabeça de uma nova geração[2].

O “Espírito vivificante” se opõe a toda ação criada pela mão humana (pecado). A glorificação de Cristo dá acesso a toda a humanidade a ter a vida novamente em Deus. Na pessoa de Cristo, Deus realiza o projeto do qual o primeiro homem não foi capaz de cumprir. A restauração da humanidade foi confiada à pessoa de Cristo o qual se tornou o Novo Adão.

Assim, Romanos 5,20-21 diz: “mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”. É por causa de Jesus Cristo que a graça e o dom de Deus podem ser concedidos a todos os homens. Também é devido a Ele que podemos reinar em vida, pois Nele, temos todo o suprimento necessário.



[1] “Este pensamento de Paulo sobre o “Espírito vivificante” permite explicar certos textos nos quais ele parece identificar Cristo ao Espírito, como 2Cor 3,17. Ressuscitado pelo Espírito e animado por sua vida, o corpo ressuscitado de Cristo é para o cristão fonte do Espírito, tanto que para o crente receber o Cristo ou receber o Espírito é, de certa maneira, a mesma coisa”. (cf. Jurgen BECKER, Apóstolo Paulo. Vida, obra e teologia. São Paulo: Editora Academia Cristã, 2007, pp. 71).

[2] “...por causa de um só homem, Adão, toda a humanidade é chamada a morrer; por um só homem, Cristo, todos são destinados a reviver. Em Adão, isto é, em dependência dele, pelo fato de ele incorporar toda a humanidade a título de antepassado e cabeça, está determinado a sorte de todos; e o indicativo presente: ‘todos morrem em Adão’ marca bem que hoje ainda, a morte é o salário da atitude de Adão pecador. Pela mesma razão, todos aqueles que estão unidos a Cristo são solidários a seu destino, pois Ele é o seu cabeça: n’Ele toma origem uma humanidade nova, e é n’Ele que ressuscitarão...” (cf. Jurgen BECKER, Apóstolo Paulo. Vida, obra e teologia. pp. 57-59).

sábado, 18 de outubro de 2008

Cristo sacramento primordial.

Cristo se manifesta em forma humana. A própria manifestação de Jesus é o resultado da promessa de Deus que se realiza na humanidade para que a mesma possa ser salva. Desta forma, os atos salutares de Jesus são sacramentais . Sacramento tem por sua vez o significado de salvação. É o dom da salvação transmitida pelos atos de Jesus na história da humanidade.
Jesus feito homem realiza a graça de Deus conseqüentemente a redenção divina é por isso que ele é o sacramento primordial . Desta forma o encontro com a pessoa de Jesus é o encontro pessoal com o próprio Deus. Assim, justifica os atos salutares de Jesus sendo, portanto, sinal e causa de graça.
A revelação de Jesus tem uma intenção: com a encarnação do Filho tem-se a redenção do homem, a libertação do pecado e a comunhão com Deus. O amor de Jesus aos homens é a manifestação do amor de Deus para todos os homens. Isso é o que se pode chamar de movimento de descendente de Deus . A condição em que a humanidade alcança a graça de Deus pela ação de Jesus é uma circunstancia que procede de baixo para cima. É um movimento ascendente.
Jesus é fonte de diálogo com o Pai. Toda a humanidade pode se sentir liberta e agraciada a Deus pela pessoa de Jesus. Ele foi obediente até o fim se fazendo homem e morrendo na cruz para a remissão dos pecados . A ressurreição e a glorificação de Jesus é o resultado de que a plenitude do Reino de Deus já se faz presença, mas que a humanidade ainda espera pela vinda do Senhor para o resgate final de todos que se fizeram justos.
Cristo comunica a todos a graça de Deus, pois ele e´ o sacramento por ser o Senhor ressuscitado, o KYRIOS como Espírito Santo .
A redenção se torna a iniciativa do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim, temos a Trindade agindo na humanidade em que requer ao homem uma resposta, uma iniciativa para que Deus possa se fazer presente na vida daquele. O contexto da redenção é a Trindade agindo na humanidade, a obediência de Cristo, a humilhação do mesmo e a ação do Espírito Santo movendo a todos ao sentido da missão .
A narrativa da paixão revela o sentido do sacrifício expiatório de Jesus. Evidentemente que tal sacrifício tem como resultado a aliança com Deus. A morte de Cristo santifica, reconcilia e liberta a humanidade. O evento salvífico de Jesus não esta só para um momento (morte), mas para toda a encarnação de Jesus. O pecado tira a vida de Jesus, mas Deus restitui-lhe a vida; é a vitória de Deus. Deus o ressuscita é lhe dá o nome de KYRIOS, Senhor. O momento da ressurreição é a plenitude de Cristo que sobe ao céu pela ascensão em que a humanidade espera fielmente pela volta do Senhor na Parusia. Assim, se constitui o mistério da Redenção. Estabelece-se o conteúdo dogmático da vida de Cristo: Páscoa, Ascensão e Pentecostes. Páscoa é a fidelidade do Encarnado, a Ascensão é o Senhor como Rei do Universo e o prelúdio do Espírito Santo e Pentecostes é o complemento daquilo que Jesus já realizou e que se concretiza pela pessoa do Espírito Santo .




cf. SCHILLEBEECKX, E.; Cristo, Sacramento do encontro com Deus. Petrópolis: Vozes, 1968, pp. 21.
Idem, pp. 22
Idem, pp. 23
Idem, pp. 25
Idem, pp. 26
Idem, pp. 27
Idem, pp. 28-29






Referencia Bibliográfica
SCHILLEBEECKX, E.; Cristo, Sacramento do encontro com Deus. Petrópolis: Vozes, 1968

domingo, 12 de outubro de 2008

O mistério da Igreja – Sacramento de Cristo celeste.

A morte de Cristo é o nascimento da Igreja. Mas, é Cristo que promove a salvação. Cristo é a dimensão escatológica da qual a Igreja sempre está a espera pela vinda do Senhor. O corpo de Cristo é a Igreja e isso se procede ao mesmo tempo com a “cabeça e Membros” de Cristo. A Igreja se torna a comunidade visível da graça de Deus na obra redentora do Salvador. Cristo ao ser glorificado se torna manifesta a Igreja celeste da qual a todos participam. Por outro lado, com a ascensão de Cristo, o Espírito Santo manifesta a Igreja terrestre entre os homens. Desta forma, a Igreja se torna objeto de salvação e santificação para os homens. Pela Igreja tem-se a manifestação do amor de Deus a todos (um movimento de cima para baixo) e também um serviço a Deus – culto (movimento de baixo para cima). Com efeito, tem-se, para este ultimo movimento, a circunstancia de ministérios que se desenvolvem e de carismas que promovem a comunhão. Assim, percebem-se os instrumentos que contribuem para a promoção do Reino de Deus a todo homem de boa vontade. O sacramento é, de princípio o próprio ato de Cristo inserido na Igreja. O sacramento é ato visível de Cristo na Igreja com salvação. A recepção na fé dos sacramentos é o resultado de um encontro com Deus. Nos atos históricos de Jesus temos um mistério envolvido (todo o mistério da encarnação, paixão, morte de Cristo na Cruz , ressurreição e redenção). Este mistério de presença de Deus na comunidade é o sacramento que sempre se atualiza na história. Tal fato se procede porque Jesus se fez homem; é o homem/Deus que rompe com o tempo e a história porque seus atos são eternos. A vida de Cristo é eternizada através da glorificação. Nos sacramentos tem-se o ato sacrifical, espiritual e corporal de Cristo que agem de modo salutar para a salvação. Na realização dos sacramentos é Cristo que batiza, absolve e se torna presença real na eucaristia. Cristo age na Igreja. O sacramento é a celebração do sacrifício de Cristo que é uma resposta ao dom da graça. Torna-se, então, a segurança da salvação escatológica no Cristo se fez KYRIOS. Cristo se encontra nos sacramentos por ter uma realidade eterna: Homem-Deus, manifestando a graça divina. Não obstante, o sacramento é instrumento de santificação, ou seja, a resposta humana ao ato de Jesus nos sacramentos. O sinal do culto é a manifestação do interior de cada pessoa, isto é, a profissão de fé que cada pessoa manifesta em culto a Deus. Os sacramentos, por assim, dizer tornam-se atos simbólicos que exprimem a fé de uma comunidade religiosa. O ato de culto da Igreja é a comunhão com a graça de Deus que santifica. Nos sacramentos tem a eficácia da graça infalível, pois, Cristo age na santificação do fiel. Essa infalibilidade é expressa pelas palavras EX OPERE OPERATO. É o próprio ato simbólico e ritual da Igreja. A santificação tem a sua eficácia através do rito estabelecido. Esse mistério expresso em realizações humanas de redenção tem como sinal edificante a pessoa de Cristo glorioso que é transmitida pela Igreja na pessoa do Espírito Santo. Desta forma, o sacramento na Igreja tem a graça Trinitária que contempla a eficácia do sacramento[1]. O sacramento é sinal eclesial da fonte da graça de Cristo. Portanto, o ato simbólico da Igreja está impregnado de toda a ação de salvífica de Cristo. A salvação de Cristo se realiza essencialmente no sacramento.



Referencia Bibliográfica
SCHILLEBEECKX,E., Cristo, sacramento do encontro com Deus. Petrópolis, Vozes, 1968.







[1] “...a teologia ensina que, colocado corretamente o sinal exterior, o rito opera a graça por si mesmo ou EX OPERE OPERATO, não podemos esquecer o profundo mistério cristológico e trinitário que por ele professamos... a obra do Senhor sacramentalizada para nós em um ato religioso autenticamente eclesial, o Pai de misericórdia nos comunica a graça pela missão do Espírito de Cristo” (SCHILLEBEECKX,E., Cristo, sacramento do encontro com Deus. Petrópolis, Vozes, 1968, pp80).

domingo, 5 de outubro de 2008

Os sacramentos, lugares de encontro com Deus.

O mistério de Deus se revela em Cristo. O mistério se revela, mas, ainda continua o mistério da ação de Deus no homem. Cristo se fez homem para redimir toda a humanidade e conduzi-la a Deus. Este é senão o plano de Deus para com a humanidade. Toda a humanidade está assegurada pelas mãos de Deus. É por isso que Cristo se faz presença em meio ao homem para que este possa estar na presença de Deus. A aliança feita com Deus já é o reflexo da bondade de Deus existente desde a criação. A realização do homem se procede pelo amor de Deus agindo na humanidade. Desta forma, Cristo torna-se o elo que interliga o humano e o divino. Cristo torna-se o sacramento que une o homem a Deus. Outrora, o termo sacramento era adotado como juramento de fidelidade, ou seja, um pacto em que se estabelecia entre amigos ou qualquer relação pública. Desta forma tornou-se apropriado traduzir o termo mistério do latim como sacramento, pois Deus pactua com a humanidade o plano divino da salvação. É assim, que se tem a aproximação do mistério ao termo sacramento. Como pode Deus pactuar seu mistério com a humanidade? Jesus é o sacramento do qual realiza a ação salvífica de Deus. O sacramento é a manifestação de Deus na humanidade pela pessoa de Jesus. A graça de Deus interage na humanidade por intermédio de Jesus. Deus deixa transmitir sua graça pela pessoa de Jesus. Evidentemente que a graça de Deus já se fazia presença já desde a criação, mas com Jesus a humanidade percebe e reconhece e n’Ele a obra do Redentor. Jesus transmite os sinais eficazes da graça de Deus para a realização da redenção de toda a humanidade. Cada sinal transmitido por Jesus é a graça de Deus agindo na história do homem. O homem é convidado a corresponder à graça de Deus em sua vida. A Palavra de Deus se faz viva e eficaz. A misericórdia de Deus adentra toda a existência humana. Desta forma os sacramentos realizam a aliança com Deus na pretensão de que cada pessoa interaja no amor e na humildade.



Referencia Bibliográfica

FORTE, B., Introdução aos Sacramentos. São Paulo: 1996.