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domingo, 23 de novembro de 2008

Os profetas e o culto.

O culto em Israel se estabelece em três formas básicas: espaço sagrado, tempo sagrado e as ações sagradas. O espaço torna-se sagrado devido à manifestação da divindade, uma pessoa de expoente religiosa funda tal lugar e desenvolve-se para o culto profano. Existem lugares que são considerados como manifestações divinas: Betel Sinai, Jerusalém. Mas há outros lugares escolhidos pelo homem: Guidal, Dã, etc. O tempo é caracterizado pelas festas: ázimos (colheita nova), pentecostes (passagem, libertação do Egito) e tabernaculos (festa de Javé – relacionada ao deserto) e o sábado que é considerado o dia do descanso – observância, fidelidade a Deus. As ações (ritos) eram caracterizadas pelo sacrifício. Tem-se o sacrifício sobre o altar como oferta a Deus. Temos ainda os holocaustos (queima), sacrifícios de comunhão (comem-se como coisa santa), expiatórios (remissão), oferta de vegetais complementando o sacrifício animal. Todos estes gestos eram acompanhados de orações, ritos de purificação e de consagração para aproximar-se de Deus.
Os ministros tinham a função de transmitir e ensinar a Tora, abater as vítimas como sacrifício a Deus e mediador entre os homens e Deus.
Estudiosos afirmam que os profetas tinham uma ligação com o culto do povo de Israel com seus sacrifícios e holocaustos. Torna-se radical afirmar uma completa rejeição do culto por parte dos profetas. Afirmam certa divergência exegética. Antes do exílio teriam os profetas uma rejeição ao culto, porém após o exílio tem-se uma aproximação ao culto de Israel, sendo assim requer uma distinção melhor aos textos.
O culto passa a ter uma outra interpretação. Tem-se quebrado os valores de culto para a satisfação própria. O homem passa a procurar seu jeito próprio de aproximar-se de Deus, pondo em descrédito a realização do culto. Um exemplo disso é Saul que após uma conquista não promove o extermínio de animais, mas seleciona os melhores gados para o culto ao Senhor como reflexo de um culto exagerado
[1]. Por outro lado, Amós e Oséias combatem sacrifícios acompanhados de sofrimentos e opressão dos menos favorecidos[2]. Oséias também afirma que os sacerdotes fazem do culto um negócio. Transmite uma idéia falsa para que se possa beneficiar de animais e alimentos para consumo próprio[3]. Jeremias exorta ao culto do qual deveria ser voltado para a justiça de Deus, a justiça divina, apoiando os órfãos e oprimidos[4]. Para Jeremias a Casa de Deus se tornara um covil de bandidos. Desta forma o profeta afirma que a Casa de Deus já não se encontrava mais em nenhum lugar[5].
Para o antigo povo de Israel o culto era inconcebível com seus ritos e ações. Os profetas desencadearam duros conflitos para combater essas ações. O texto que melhor expressa essa ação contrária esta no Salmo 50 no que diz: “Por acaso comerei sangue de touros ou beberei sangue de bodes?” Os profetas apresentam os sacrifícios como realizações puramente humanas e não uma ação de Deus. Os cultos não agradam a Deus e isso reflete no texto de Oséias no que diz: “quero misericórdia, não sacrifícios, conhecimento de Deus e não holocaustos”.
A profecia dos profetas serve como anuncio da Palavra de Deus e denuncia das injustiças da sociedade. Deus age nos profetas pondo-os em missão de anunciar a Palavra de Deus. Os profetas observam na natureza a ação de Deus. As intempéries são ações de Deus não como castigo, mas, uma forma de conversão da sociedade. A visão do profeta é puramente teológica. Assim, uma guerra é resultado da ação de Deus para conter o pecado da sociedade. É a providencia de Deus agindo no povo. O futuro é a esperança que o profeta almeja com a conversão, renovação, aliança e intimidade com Deus.
Deus é soberano porque está a frente de todos os povos e de todos os exércitos, assim ele se faz Senhor da história, mas também age na orportunidade, ou seja, Deus age no momento oportuno na vida do homem. Isso faz pensar na obra divina com algo estranho e surpreendente, pois o plano de Deus não é o mesmo do que de qualquer homem. Torna-se muitas vezes escândalo, pois Deus também age no sofrimento como uma forma de purificação e conversão
[6].
Portanto, a palavra de Deus age na história humana. O fato de rever o passado dá indícios de uma conversão. A análise dos atos e fatos pode levar a uma mudança de vida em Deus. Não obstante, para que a palavra de Deus possa ter sua força e atuação na vida do homem, este deve ter fé. A fé é o alimento para a salvação do homem. A fé faz com que o homem creia, se fortaleça, supere e confie em Deus agindo em toda a humanidade.











[1] “O homem tem a tentação de procurar o seu próprio caminho para contentar a Deus.” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 392).
[2] “As peregrinações aos grandes santuários de Betel, Guildal e Bersabéia exercem grande atração sobre o povo. Não se deixa de pagar dízimos, são abundantes os sacrifícios de animais e as oferendas voluntárias. Mas todo esse culto está acompanhado de tremendas injustiças, de fraudes no comércio, compra e venda de escravos e opressão de fracos” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 392-393).
[3] Cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 395.
[4] Cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 400.
[5] “Em resumo, a imensa maioria dos textos proféticos mostra-se crítica frente ao espaço sagrado, contagiando por práticas idolátricas cananéias os lugares altos e que fomentam uma falsa religiosidade ou uma falsa idéia de Deus (santuários e templos)” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 402).
[6] cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 416-419).





Referência Bibliográfica


SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996

domingo, 12 de outubro de 2008

O mistério da Igreja – Sacramento de Cristo celeste.

A morte de Cristo é o nascimento da Igreja. Mas, é Cristo que promove a salvação. Cristo é a dimensão escatológica da qual a Igreja sempre está a espera pela vinda do Senhor. O corpo de Cristo é a Igreja e isso se procede ao mesmo tempo com a “cabeça e Membros” de Cristo. A Igreja se torna a comunidade visível da graça de Deus na obra redentora do Salvador. Cristo ao ser glorificado se torna manifesta a Igreja celeste da qual a todos participam. Por outro lado, com a ascensão de Cristo, o Espírito Santo manifesta a Igreja terrestre entre os homens. Desta forma, a Igreja se torna objeto de salvação e santificação para os homens. Pela Igreja tem-se a manifestação do amor de Deus a todos (um movimento de cima para baixo) e também um serviço a Deus – culto (movimento de baixo para cima). Com efeito, tem-se, para este ultimo movimento, a circunstancia de ministérios que se desenvolvem e de carismas que promovem a comunhão. Assim, percebem-se os instrumentos que contribuem para a promoção do Reino de Deus a todo homem de boa vontade. O sacramento é, de princípio o próprio ato de Cristo inserido na Igreja. O sacramento é ato visível de Cristo na Igreja com salvação. A recepção na fé dos sacramentos é o resultado de um encontro com Deus. Nos atos históricos de Jesus temos um mistério envolvido (todo o mistério da encarnação, paixão, morte de Cristo na Cruz , ressurreição e redenção). Este mistério de presença de Deus na comunidade é o sacramento que sempre se atualiza na história. Tal fato se procede porque Jesus se fez homem; é o homem/Deus que rompe com o tempo e a história porque seus atos são eternos. A vida de Cristo é eternizada através da glorificação. Nos sacramentos tem-se o ato sacrifical, espiritual e corporal de Cristo que agem de modo salutar para a salvação. Na realização dos sacramentos é Cristo que batiza, absolve e se torna presença real na eucaristia. Cristo age na Igreja. O sacramento é a celebração do sacrifício de Cristo que é uma resposta ao dom da graça. Torna-se, então, a segurança da salvação escatológica no Cristo se fez KYRIOS. Cristo se encontra nos sacramentos por ter uma realidade eterna: Homem-Deus, manifestando a graça divina. Não obstante, o sacramento é instrumento de santificação, ou seja, a resposta humana ao ato de Jesus nos sacramentos. O sinal do culto é a manifestação do interior de cada pessoa, isto é, a profissão de fé que cada pessoa manifesta em culto a Deus. Os sacramentos, por assim, dizer tornam-se atos simbólicos que exprimem a fé de uma comunidade religiosa. O ato de culto da Igreja é a comunhão com a graça de Deus que santifica. Nos sacramentos tem a eficácia da graça infalível, pois, Cristo age na santificação do fiel. Essa infalibilidade é expressa pelas palavras EX OPERE OPERATO. É o próprio ato simbólico e ritual da Igreja. A santificação tem a sua eficácia através do rito estabelecido. Esse mistério expresso em realizações humanas de redenção tem como sinal edificante a pessoa de Cristo glorioso que é transmitida pela Igreja na pessoa do Espírito Santo. Desta forma, o sacramento na Igreja tem a graça Trinitária que contempla a eficácia do sacramento[1]. O sacramento é sinal eclesial da fonte da graça de Cristo. Portanto, o ato simbólico da Igreja está impregnado de toda a ação de salvífica de Cristo. A salvação de Cristo se realiza essencialmente no sacramento.



Referencia Bibliográfica
SCHILLEBEECKX,E., Cristo, sacramento do encontro com Deus. Petrópolis, Vozes, 1968.







[1] “...a teologia ensina que, colocado corretamente o sinal exterior, o rito opera a graça por si mesmo ou EX OPERE OPERATO, não podemos esquecer o profundo mistério cristológico e trinitário que por ele professamos... a obra do Senhor sacramentalizada para nós em um ato religioso autenticamente eclesial, o Pai de misericórdia nos comunica a graça pela missão do Espírito de Cristo” (SCHILLEBEECKX,E., Cristo, sacramento do encontro com Deus. Petrópolis, Vozes, 1968, pp80).

sábado, 27 de setembro de 2008

O profeta e o culto/ Visão profética da história.

O culto em Israel se estabelece em três formas básicas: espaço sagrado, tempo sagrado e as ações sagradas. O espaço torna-se sagrado devido à manifestação da divindade, uma pessoa de expoente religiosa funda tal lugar e desenvolve-se para o culto profano. Existem lugares que são considerados como manifestações divinas: Betel Sinai, Jerusalém. Mas há outros lugares escolhidos pelo homem: Guidal, Dã, etc. O tempo é caracterizado pelas festas: ázimos (colheita nova), pentecostes (passagem, libertação do Egito) e tabernaculos (festa de Javé – relacionada ao deserto) e o sábado que é considerado o dia do descanso – observância, fidelidade a Deus. As ações (ritos) eram caracterizadas pelo sacrifício. Tem-se o sacrifício sobre o altar como oferta a Deus. Temos ainda os holocaustos (queima), sacrifícios de comunhão (comem-se como coisa santa), expiatórios (remissão), oferta de vegetais complementando o sacrifício animal. Todos estes gestos eram acompanhados de orações, ritos de purificação e de consagração para aproximar-se de Deus.
Os ministros tinham a função de transmitir e ensinar a Tora, abater as vítimas como sacrifício a Deus e mediador entre os homens e Deus.
Estudiosos afirmam que os profetas tinham uma ligação com o culto do povo de Israel com seus sacrifícios e holocaustos. Torna-se radical afirmar uma completa rejeição do culto por parte dos profetas. Afirmam certa divergência exegética. Antes do exílio teriam os profetas uma rejeição ao culto, porém após o exílio tem-se uma aproximação ao culto de Israel, sendo assim requer uma distinção melhor aos textos.
O culto passa a ter uma outra interpretação. Tem-se quebrado os valores de culto para a satisfação própria. O homem passa a procurar seu jeito próprio de aproximar-se de Deus, pondo em descrédito a realização do culto. Um exemplo disso é Saul que após uma conquista não promove o extermínio de animais, mas seleciona os melhores gados para o culto ao Senhor como reflexo de um culto exagerado
[1]. Por outro lado, Amós e Oséias combatem sacrifícios acompanhados de sofrimentos e opressão dos menos favorecidos[2]. Oséias também afirma que os sacerdotes fazem do culto um negócio. Transmite uma idéia falsa para que se possa beneficiar de animais e alimentos para consumo próprio[3]. Jeremias exorta ao culto do qual deveria ser voltado para a justiça de Deus, a justiça divina, apoiando os órfãos e oprimidos[4]. Para Jeremias a Casa de Deus se tornara um covil de bandidos. Desta forma o profeta afirma que a Casa de Deus já não se encontrava mais em nenhum lugar[5].
Para o antigo povo de Israel o culto era inconcebível com seus ritos e ações. Os profetas desencadearam duros conflitos para combater essas ações. O texto que melhor expressa essa ação contrária esta no Salmo 50 no que diz: “Por acaso comerei sangue de touros ou beberei sangue de bodes?” Os profetas apresentam os sacrifícios como realizações puramente humanas e não uma ação de Deus. Os cultos não agradam a Deus e isso reflete no texto de Oséias no que diz: “quero misericórdia, não sacrifícios, conhecimento de Deus e não holocaustos”.
A profecia dos profetas serve como anuncio da Palavra de Deus e denuncia das injustiças da sociedade. Deus age nos profetas pondo-os em missão de anunciar a Palavra de Deus. Os profetas observam na natureza a ação de Deus. As intempéries são ações de Deus não como castigo, mas, uma forma de conversão da sociedade. A visão do profeta é puramente teológica. Assim, uma guerra é resultado da ação de Deus para conter o pecado da sociedade. É a providencia de Deus agindo no povo. O futuro é a esperança que o profeta almeja com a conversão, renovação, aliança e intimidade com Deus.
Deus é soberano porque está a frente de todos os povos e de todos os exércitos, assim ele se faz Senhor da história, mas também age na orportunidade, ou seja, Deus age no momento oportuno na vida do homem. Isso faz pensar na obra divina com algo estranho e surpreendente, pois o plano de Deus não é o mesmo do que de qualquer homem. Torna-se muitas vezes escândalo, pois Deus também age no sofrimento como uma forma de purificação e conversão
[6].
Portanto, a palavra de Deus age na história humana. O fato de rever o passado dá indícios de uma conversão. A análise dos atos e fatos pode levar a uma mudança de vida em Deus. Não obstante, para que a palavra de Deus possa ter sua força e atuação na vida do homem, este deve ter fé. A fé é o alimento para a salvação do homem. A fé faz com que o homem creia, se fortaleça, supere e confie em Deus agindo em toda a humanidade.

[1] “O homem tem a tentação de procurar o seu próprio caminho para contentar a Deus.” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 392).
[2] “As peregrinações aos grandes santuários de Betel, Guildal e Bersabéia exercem grande atração sobre o povo. Não se deixa de pagar dízimos, são abundantes os sacrifícios de animais e as oferendas voluntárias. Mas todo esse culto está acompanhado de tremendas injustiças, de fraudes no comércio, compra e venda de escravos e opressão de fracos” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 392-393).
[3] Cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 395.
[4] Cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 400.
[5] “Em resumo, a imensa maioria dos textos proféticos mostra-se crítica frente ao espaço sagrado, contagiando por práticas idolátricas cananéias os lugares altos e que fomentam uma falsa religiosidade ou uma falsa idéia de Deus (santuários e templos)” (cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 402).
[6] cf. SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996, pp. 416-419).

Referencia Bibliográfica
SICRE, J.L., Profetismo em Israel, Petrópolis, Vozes, 1996.