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domingo, 8 de fevereiro de 2009

A mensagem pascal

O mestre de Nazaré tinha o objetivo de anunciar o plano da salvação a toda a humanidade. O Evangelho, o Cristo, proclamava a Boa Nova do Reino de Deus a todos os irmãos judeus. Evidentemente, que a salvação promovida por Jesus perpassou pelo crivo da cruz e pela ressurreição. Este último desenvolveu-se por questões de linguagem em que se estende por “ressurreição”, “exaltação” e “vida”. O termo ressurreição quer dizer “estar de pé” ou “despertou”. Independentemente, os termos dizem respeito a Jesus como autor da ressurreição e que ainda permanece ressuscitado. A ação que se realizara no passado ainda se realiza no presente. Cristo, com a ressurreição, se torna o primogênito dentre os mortos. É Deus que se torna dono da vida e da morte. A ressurreição refere-se a glória em que toda a humanidade se associará com Jesus de Nazaré. “Primogênito dentre os mortos” (Cl 1,18), “Que o Deus da paz que, pelo sangue de uma eterna aliança, fez subir dentre os mortos o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus” (Hb 13,20). Cristo rompe com a estadia dos mortos (Sheol) com sua subida gloriosa na ressurreição. Cristo foi exaltado e elevado. Estas expressões não podem estar dissociadas em si mesmas, mas, referem-se a glorificação celeste. Cristo foi exaltado e elevado soberanamente a direita de Deus. O momento da cruz, tornou-se senão, um ato de superação daquilo que fora considerado “negativo” para muitos. A cruz e a ressurreição passaram a estar juntas neste processo de salvação em Jesus Cristo. O ápice do desígnio de cruz está na entrega pelos pecados de toda humanidade. A ressurreição é o ato de justificação de todos os delitos humanos. Assim, temos em conjunto, o mistério da cruz e da ressurreição em Cristo Jesus. O primeiro relato da ressurreição consta em 1Cor 15, 1-5. É Cristo que morre pelos pecados de muitos e ressuscita conforme as escrituras aparecendo a Cefas e depois aos doze. O anuncio pascal se estabelece pela experiência de vida dos discípulos. Cristo se manifesta na história da humanidade, convidando-a a entender o evento pascal como a chave para a história da salvação. A ressurreição de Jesus acontece no terceiro dia. Mas o que quer dizer isso? O numero três se evidencia nos textos bíblicos (sinal de Jonas, o Templo reconstruído em três dias e anúncios da ressurreição de Cristo no terceiro dia). O número três, diz respeito, justamente, não que Jesus ressuscitara dois dias depois, mas num sentido escatológico refere-se a vitória de Deus sobre a morte. Com efeito, assim, como os termos ressurreição e exaltação são próximos, indissociáveis, o mesmo acontece com o termo “vida”. Desta forma, a expressão “ele ressuscitou” ganha outra entonação “ele retomou vida e ele vive, ele é o Vivo”. O termo vida é também citado em outros textos da escritura: “que ele viva e elas o tinham visto” (Mc 16,11), “vós, porém, me vereis vivo, e também vós vivereis” (Jo 14,19), etc. O termo “vida” é a ligação entre a cultura semítica e a grega. O termo “vida” não exclui a semântica do termo ressurreição. Isso se pode evidenciar em Lucas quando diz: “Por que procurais o vivente entre os mortos” em seguida conclui “Ele não está aqui, mas ressuscitou” (Lc 24, 5-6). A vida diz respeito a uma vida no Espírito. Vida Nova em Cristo Jesus. A vida refere-se o desvencilhar do pecado e da corrupção que afasta todo o homem da graça divina. Portanto, a mensagem pascal é a Vida Nova em Cristo em que todo o cristo invoca “Jesus Senhor”, confessando a fé batismal glorificando Deus no mais alo dos céus. Pois, o mistério pascal projeta-se na história da revelação de Deus na humanidade pela pessoa de Jesus como anunciador do Reino e da salvação de todos os homens.


refeência


BONY, P., A Ressurreição de Jesus. São Paulo: Loyola, 2008.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A ressurreição de Jesus.

A ressurreição dos mortos tem seu fundamento nos textos de Os 6,3 (ele virá como a aurora) e de Ez 37,1-14 (ossos ressequidos, sopro do espírito). O texto dos salmos em especial o salmo 73 (tu me levarás a tua glória) também é referência à ressurreição dos mortos, apesar de não deixar explícito o termo propriamente dito. Os textos citados fazem alusão a uma experiência pessoal de vida como uma exaltação a experiência de Deus, assim como a de Elias e Eliseu em que foram arrebatados a Deus (experiência de Deus). A menção a ressurreição dos mortos se evidencia após o séc. II a. C. quando é citado termos em Dn 12, 1-3 (muitos que dormem no solo poeirento despertarão, estes para a vida eterna), 2Mb 7, 28 (aquele que faz o homem a partir do nada será capaz de chamá-los a vida) e Sb 3, 1-4 (mesmo que os homens tenham sido castigados sua esperança era plena de imortalidade). O problema central surge quando em Israel passa-se a ter um processo de helenização por Antíoco IV Epifânio. A cultura grega insere-se o ambiente semítico e, assim, a imortalidade (separação do corpo – corrupção e da alma – perfeição se mesclam com o ideal de ressurreição. A ressurreição não é imortalidade da alma. O primeiro diz respeito à glória em Deus de corpo e alma, enquanto que no segundo se depara com a separação da corrupção com a perfeição. A esperança na ressurreição, o próprio Deus já enfatizava quando dizia que era o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Deus, não é um Deus dos mortos, mas dos vivos. Jesus também enfatiza a ressurreição quando ressuscita Lázaro, o mesmo acontece quando na cruz pronuncia para o bom ladrão que estarás também no paraíso. A ressurreição de Jesus não é justamente a realização da promessa, mas sim, a garantia da promessa feita. “Ó morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão?... Rendamos graça a Deus que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 15, 55-57).

Referência

BONY, P., A Ressurreição de Jesus. São Paulo: Loyola, 2008.

domingo, 16 de novembro de 2008

Celebrar os sacramentos

A celebração dos sacramentos tem um único objetivo: conduzir, elevar o homem a Deus. Celebrar o sacramento é levar o cristão a verdade. É estruturar-se com a comunhão como povo peregrino a Deus. O povo peregrino caminha para a verdade, para a graça de Deus que se encontra nos sacramento (gestos salutares da obra redentora de Cristo). Os gestos salutares de Cristo se encontram na Igreja através da liturgia. A celebração litúrgica dos sacramentos convida o fiel a estar mais próximo de Deus. Pela liturgia o fiel se debruça no mais intimo da graça de Deus. Desta forma a celebração litúrgica age como um comunicar com Deus que permite o homem a encontrar seu sentido último perante a graça de Deus. O Espírito permite esta relação de diálogo com Deus. O espírito humano se eleva na celebração litúrgica quando percebe a ação de Deus interagindo na existência humana. A Trindade age no ser humano pela pessoa de Cristo. Pela liturgia tem se o comunicar do espírito com a Trindade. O cristão já não é mais estranho perante Deus, mas intimo de Deus pelo amor trinitário. Tem-se o contato com o Pai pelo Filho e do Filho a santidade pelo Espírito. Isso explica o motivo do qual as orações litúrgicas terminam com a invocação à Trindade. Professar a fé é vivenciar a graça do sacramento na vida. Pela celebração dos sacramentos tem - se um comunicar, uma comunhão e uma intimidade para com Deus pelo Espírito. O próprio Jesus conduziu todo o povo de Deus a Trindade pela oração do Pai nosso. Ele, Jesus, é a aliança que aproxima o divino da criatura. Assim, os sacramentos promovem a transformação de vida pela palavra de Deus, o Deus vivo que age na humanidade. Os sacramentos da Igreja pela ação do Espírito atualizam a obra redentora de Cristo. É pelos sacramentos que encontramos o amor de Cristo pela humanidade.
Referencia Bibliográfica

FORTE, B., Introdução aos sacramentos. São Paulo: Paulus, 1996, pp. 31-35.

domingo, 28 de setembro de 2008

Antropologia paulina - Kasemann

Ernest Kasemann apresenta uma perspectiva da antropologia paulina com dois elementos: o corpo (essência) e o espírito. Todos têm um corpo. Este corpo é um organismo com vários membros. O espírito é a condição de se conduzir a Deus. O autor quer afirmar também que o homem habita no mundo e este mundo tanto quanto o homem é criação de Deus. Os dois estão unidos a Deus[1].
Há uma perspectiva histórica-religiosa no pensamento de Kasemann. O homem tem uma vida histórica que o projeta no mundo. O homem está em vivencia com o outro. Há uma comunhão de pessoa. Kasemann tem uma idéia contrária a de Bultmann
[2]. Este afirma o Jesus da fé e não o Jesus histórico. Os apóstolos criaram um mito de Jesus na história. Mas Kasemann afirma Jesus na história com a referencia do judaísmo e do helenismo[3].
Com efeito, Kasemann estabelece a participação do homem na história. É por isso que Paulo identifica a atuação do homem com o corpo e o espírito no mundo
[4]. Porque o homem está participando na sociedade e no mundo criados por Deus.
O homem tem uma estrutura ontológica. A essência do homem é ontológica. Mas, qual é a essência do homem? A essência do homem é o próprio corpo. O corpo do homem é a condição de ser com Deus. Esta é a condição pela qual no corpo existe o espírito que pode conduzir a pessoa a Deus. No pensamento de Paulo o homem tem um corpo, a alma e o espírito. O corpo é a realidade material, a alma pode compreender a realidade material e o espírito é a condição para a divindade.
Deus se faz no mundo e no homem pelo Espírito. O Espírito de Deus está com o espírito do homem
[5]. Assim, o homem tem a graça em sua vida pelo Espírito de Deus. Mas, Deus criando o mundo dá o dom da liberdade ao homem e, não obstante, ele pode negar a presença de Deus em sua vida. Nesta condição Kasemann afirma uma esfera demoníaca no gênero humano, isto é, quando o homem não está com Deus estende-se para a esfera demoníaca[6]. E claro que não há a necessidade de existir a personificação do diabo ou do demônio, mas, a tendência do homem para afastar-se de Deus.
Jesus Cristo é a fonte da graça no ser humano. Jesus é o caminho que pode conduzir todos a Deus. É somente por Ele que a promessa de Deus se estende ao fim. A redenção de Deus foi realizada por Jesus Cristo vivendo na historia da humanidade
[7]. E a humanidade espera a vinda de Cristo na parusia.
Assim, o individuo está inserido no mundo. Isso Kasemann chama de vocação. Porque o homem pode transmitir os dons como um membro do corpo de Cristo. Os dois, o mundo e o individuo não podem estar separados porque Cristo transmite a graça divina para todas as coisas criadas. O mundo e o homem estão em comunhão com Deus por Cristo
[8].


Referencia Bibliográfica
KASEMANN, E.; Perspectivas Paulinas. São Paulo: Paulus/Teológica. 2003.

[1] Cf. KASEMANN, E.; Perspectivas Paulinas. São Paulo: Paulus/Teológica. 2003, pp. 11.
[2] Idem, pp. 20.
[3] Idem, pp. 19.
[4] Idem, pp. 35.
[5] Idem, pp. 42.
[6] Idem, pp. 49.
[7] Idem, pp. 54.
[8] Idem, pp. 56-57.